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Bricolage geek: a ressuscitar um ThinkPad X220

Num contexto de IT g33k, mas totalmente de hobby, passei o dia a dar uma nova vida a um ThinkPad X220.
Foi uma maravilha: estas máquinas ainda SÂO reparáveis.

Lembro-me que, da geração 2 à 5, os teclados destes modelos são praticamente plug-and-play entre eles. É aquele tipo de detalhe que hoje em dia parece ficção científica: tiras o teclado velho, metes o outro, testas, e siga. Sem colas, sem parafusos escondidos debaixo de autocolantes com ameaças passivo-agressivas.

Depois de uma boa limpeza e um pouco de amor, o sistema está de volta à ação. Infelizmente, o destino deste X220 vai ser Windows 10, porque é de um familiar e tem de ser algo mais “mainstream”. Se fosse cá de casa, tinha ganho logo um FreeBSD fresquinho e ficava a servir agua quente aos demonios, ou alguma coisa útil na rede. :)


Cirurgia ao X220

Alguns highlights da sessão de bricolage:

  • Abertura da máquina sem dramas, só com a chave de parafusos certa.
  • Limpeza de pó acumulado no cooler e na grelha de ventilação. (soprado à boca)
  • Verificação de RAM e disco (SMART) antes de avançar com o sistema operativo.
  • Teste de teclado / trackpoint depois da montagem.

Algumas fotos do processo:

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Entendedores entenderão… =)

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Confronto com a geração “moderna”: S0, o pseudo-sleep

Onde isto se torna frustrante é quando ponho lado a lado estas máquinas com muitos dos portáteis de últimas gerações, com os “novos” modos de energia tipo S0 (Modern Standby). A frustação grita para sair da minha pele.

Resumo rápido:

  • Nos velhos tempos, tínhamos S3 (Sleep clássico):
    • RAM alimentada.
    • CPU, discos, etc. verdadeiramente em baixo consumo.
    • O portátil podia ficar horas em sleep sem torrar bateria.
  • Agora, com S0:
    • O sistema está “meio acordado, meio a dormir”, imprevisivél, digo eu….
    • Às vezes o portátil aquece dentro da mochila, tipo torradeira portátil. :O
    • A bateria vai-se embora muito mais rápido do que devia.
    • Ficas a lutar com settings de energia, drivers e “features” que ninguém pediu, e que tu nunca consegues afinar.

Do ponto de vista de quem gosta de perceber o que a máquina está a fazer, isto é simplesmente… uma desgraça. Menos controlo, mais magia negra a acontecer por trás, e um utilizador que só percebe que algo está mal quando tira o portátil da mochila já quente e meio sem bateria.


Porque é que estas máquinas ainda valem a pena

O X220 e família não são só nostalgia:

  • São documentados e há comunidade a suportar.
  • São modulares o suficiente para troca de peças sem cirurgia de micro-soldadura.
  • Aceitam OS a sério (FreeBSD, Linux, etc.) sem tanta luta com firmware “criativo”.
  • São perfeitos para:
    • Laboratórios caseiros.
    • Pequenos serviços internos (VPN, monitoring, testing).
    • Maquinas de brinquedo para experimentar sistemas operativos alternativos.

Se este X220 fosse meu, provavelmente neste momento já estava com:

  • FreeBSD ou OpenBSD.
  • ZFS in case of Daemon is the choosen one.
  • Qualquer coisa a correr em modo servidor, headless, tucked away num canto da casa.

Notas finais

Há um certo prazer em pegar num portátil com alguns anos, abrir, limpar, reparar, montar, ligar… e ver que tudo funciona como se tivesse acabado de sair da caixa.

Enquanto isso, do outro lado, continuamos a ter de lidar com:

  • Portáteis colados.
  • Baterias internas difíceis de trocar.
  • Modos de energia meio cozidos (olá, S0).

Talvez isto seja só “rant de g33k”, mas cada vez que faço bricolage a um ThinkPad clássico, fico com mais certezas: nem todo o “progresso” é avanço.

Se tiveres um X220 (ou primo próximo) encostado numa gaveta, dá-lhe uma oportunidade. Pode não ganhar o prémio de FPS nos jogos, mas ainda ganha facilmente em reparabilidade, controle e diversão geek.